Posição do SINDEFER sobre a Revisão do Código do Trabalho

O SINDEFER – Sindicato Democrático da Ferrovia considera que as alterações propostas ao Código do Trabalho representam um grave retrocesso nos direitos dos trabalhadores e um ataque direto à estabilidade laboral, à contratação coletiva e à dignidade no trabalho.

Num setor exigente como o ferroviário, onde os trabalhadores asseguram diariamente um serviço público essencial ao país, estas medidas são vistas como uma tentativa de aumentar a precariedade, enfraquecer os sindicatos e transferir ainda mais poder para as entidades patronais.

Precarização dos Contratos e Instabilidade Laboral

O alargamento da duração dos contratos a termo é uma das medidas mais preocupantes para o SINDEFER.

A possibilidade de contratos a termo certo durarem até 3 anos e contratos a termo incerto até 5 anos significa manter milhares de trabalhadores presos à incerteza durante períodos inaceitáveis. Para o sindicato, esta medida afeta particularmente os jovens trabalhadores da ferrovia e dos transportes, atrasando a entrada nos quadros permanentes, impedindo estabilidade financeira e dificultando projetos de vida pessoal e familiar.

Fim do Travão ao Outsourcing

O SINDEFER rejeita totalmente o fim da limitação ao outsourcing após despedimentos coletivos.

Na prática, esta alteração abre caminho para que empresas substituam trabalhadores efetivos, com experiência e direitos adquiridos, por serviços externos mais baratos e precários. No setor ferroviário, isto representa também riscos para a segurança operacional, para a qualidade do serviço público e para a valorização das carreiras profissionais.

Ataque ao Direito à Greve

O sindicato considera extremamente preocupante o alargamento dos serviços mínimos e a tentativa de banalizar a sua aplicação.

Para o SINDEFER, a greve é um direito constitucional fundamental e não pode ser transformada num mecanismo simbólico sem impacto real.

A imposição excessiva de serviços mínimos enfraquece a capacidade de luta dos trabalhadores e limita o direito legítimo à contestação laboral.

Banco de Horas e Flexibilização dos Horários

O regresso do banco de horas individual é visto como uma medida desequilibrada e favorável apenas às empresas.

Os trabalhadores ferroviários já enfrentam horários exigentes, trabalho por turnos e forte desgaste físico e psicológico. O aumento da flexibilidade unilateral agrava a dificuldade de conciliar vida profissional, descanso e vida familiar.

O SINDEFER defende que horários dignos são uma questão de saúde, segurança e qualidade de vida.

Facilitação dos Despedimentos

A possibilidade de empresas evitarem a reintegração de trabalhadores despedidos ilegalmente, optando apenas pelo pagamento de indemnizações, é considerada extremamente grave.

Segundo o sindicato, esta medida transforma o despedimento ilícito num simples custo financeiro para as empresas, enfraquecendo a proteção dos
trabalhadores contra abusos patronais.

Enfraquecimento da Contratação Coletiva

O SINDEFER alerta para os perigos da caducidade dos contratos coletivos de trabalho.

A contratação coletiva é um dos pilares fundamentais da proteção laboral no setor ferroviário, garantindo direitos específicos conquistados ao
longo de muitos anos de luta sindical.

A perda desses instrumentos abre caminho à degradação salarial, à perda de direitos e à desvalorização das carreiras.

Trabalhadores Mais Fragilizados

O sindicato considera que as alterações propostas atingem sobretudo:

jovens trabalhadores;
trabalhadores precários;
trabalhadores por turnos;
trabalhadores de empresas subcontratadas;
profissionais sujeitos a horários desregulados.

Na prática, os trabalhadores passam a suportar maior instabilidade, maior pressão laboral e menos proteção jurídica.

Defesa de um Trabalho Digno

O SINDEFER defende que a modernização do mercado de trabalho não pode servir de pretexto para reduzir direitos sociais e laborais. O desenvolvimento do setor ferroviário e dos transportes deve assentar:

na valorização salarial;
na estabilidade contratual;
no reforço da contratação coletiva;
no respeito pelos horários de trabalho;
e na proteção efetiva dos direitos dos trabalhadores.

Para o sindicato, um serviço ferroviário forte exige trabalhadores valorizados, respeitados e protegidos, e não mão de obra precária sujeita à instabilidade permanente.

Conclusão

O SINDEFER considera que esta revisão do Código do Trabalho representa uma ameaça séria aos direitos laborais em Portugal.

Em vez de promover emprego digno e estabilidade social, as alterações favorecem a precariedade, enfraquecem a capacidade de negociação dos
trabalhadores e aumentam o desequilíbrio entre empresas e trabalhadores. O sindicato reafirma, por isso, o seu compromisso na defesa intransigente dos direitos laborais, da contratação coletiva e da dignidade de todos os trabalhadores do setor ferroviário e dos transportes.

 

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