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The Machinee J. E. Moniz
Perto de Chicago, na Universidade de Northwestern, vive uma máquina com uma programa de inteligência artificial que está para os jornalistas como outrora o tear mecânico esteve para os tecelões de Lyon. Aquela máquina assina The Machine e faz artigos para os jornais - um dia, talvez ela acabe connosco. Por enquanto só reporta desafios de basebol dos liceus e dá conta dos relatórios das pequenas empresas, coisas menores que um jornal não pode pagar a um profissional. Mas The Machine já redige com a clareza de um texto da Associated Press e sem erros. Mais, faz artigos segundo o ponto de vista das duas equipas e propõe variantes de linguagem para o editor escolher: "A equipa X ganhou/arrasou..." The Machine pode, até, imitar o estilo de conhecidos jornalistas. Os tecelões de Lyon, com medo de perder o emprego, queimaram os primeiros teares e quase mataram Joseph Marie Jacquard, o seu inventor. Devemos também nós desesperar? The Machine podia, por exemplo, escrever sobre a ida de José Eduardo Moniz à comissão parlamentar e contar a luta dele pela independência, contra a pressão dos políticos. Podia? Podia. E isso não vai acabar com os jornalistas? Não, The Machine seria incapaz de fazer o que um jornalista de carne, osso e memória faria: dar uma sonora gargalhada.
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