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Sócrates e o Carnaval dos Jornalistas

Para brincar ao Carnaval já basta este

O Plano de Estabilidade e Crescimento, que será hoje aprovado por um Conselho de Ministros especial antes de ser submetido aos parceiros sociais, e a céu aberto à oposição, é um documento essencial para os próximos anos e também para a definição do ambiente político.

Através das opções que nele tomar, o Governo vai provar se tem coragem para traçar linhas sérias de combate ao défice e ao endividamento do País, que passa por pedir sacrifícios às pessoas, e mostrar se é, ou não, um Executivo de centro- -esquerda, o que se faz pedindo sacrifícios que não só às mesmas pessoas de sempre.

José Sócrates, todos os dias contestado pelo vício provado de não conseguir resistir ao que dizem dele e do que faz, tem aqui uma excelente oportunidade para entrar num novo ciclo. Nele teria de deixar de se preocupar com a comunicação social e de se concentrar naquilo que o País lhe mandou fazer: governar. Os votos não lhe foram confiados há pouco mais de quatro meses para se entreter com jornais e jornalistas. Teve-os porque muitos portugueses entenderam ser ele, entre os candidatos que se apresentaram, o mais capaz para enfrentar os problemas económicos e financeiros, combater o desemprego, modernizar a nossa sociedade.

Nada disso está a verificar-se. Pouco tempo passado já existe de novo a dúvida - sempre oriunda de factos marginais aos grandes problemas das pessoas e assente em eventuais defeitos de carácter - sobre se Sócrates será capaz, se terá condições, para cumprir esse mandato.

Quanto mais tempo o primeiro- -ministro perder com este carnaval em que teve, e tem, uma quota de responsabilidade, mais poderá criar as condições para eleições antecipadas.
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