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| Uma situação complexa |
Há quem fale em eleições legislativas, a curto prazo, como se fossem possíveis antes das presidenciais. Além de paralisarem o País, envolvendo os partidos numa pugna extemporânea, em vez de tentarem resolver os problemas tão graves que nos afectam. Creio que os partidos já desistiram dessa disparatada hipótese, incluindo o partido do Governo, que poderia ser, eventualmente, o mais beneficiado.
Outros falam do reforço do presidencialismo - o que implicaria uma paralisante mudança constitucional - e que, no espírito de alguns saudosistas, poderia conduzir a uma nova ditadura… O que não só não resolveria nada como viria agravar - ensina-nos o passado - todos os problemas.
Há quem pense, pelo contrário, num Governo de Assembleia, uma vez que novas eleições legislativas estão afastadas e o partido do Governo não tem maioria absoluta. No momento que vivemos, seria o pior que nos poderia acontecer, dada a proximidade das presidenciais e o afastamento que implicava da solução do nosso principal problema: dar uma resposta eficaz à crise.
Outros ainda acham que o regresso a um novo Bloco Central - uma solução que parece agradar agora a muitos dos que mais a atacaram então - esquecendo a situação de incerteza e confusão em que se encontra o principal partido da Oposição. O Congresso que se avizinha não é um fim. Será, provavelmente, um recomeço difícil e talvez conturbado, dada a guerrilha interna que se faz sentir entre os candidatos.
Além do que o Bloco Central se construiu - lembremo-nos disso - antes das eleições e foi baseado num real entendimento entre as lideranças dos dois principais partidos e no respeito mútuo e cordial que existia entre elas. Exactamente o contrário do que hoje sucede. Aliás, o PS organizou uma consulta interna a todos os militantes, antes de se decidir…
Então? Acredito que os partidos sejam sensíveis às dificuldades que temos pela frente e tenham sentido de responsabilidade. Ficarão chamuscados, na opinião pública, se o não tiverem. A história não se repete e nem sempre há oportunidade de se remediar os erros que se cometem. Não queiram os responsáveis de hoje ficar amarrados aos erros que poderão vir a cometer, por intransigência partidária ou pessoal e por falta de sentido de Estado. Refiro-me a todos os líderes dos actuais partidos, sem excepção. Conversem, dialoguem, façam um esforço para se entenderem. É o momento. Não deixem escapar esta oportunidade. Seria um ferrete inapagável que ficaria sobre vós… |
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