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O que importa

A informação em Portugal

Pouco importa que os jornalistas alinhem no combate político entrando no circo mediático montado em nome da ética. Nada mudará. Os interesses vigentes continuarão a prevalecer. Os jornalistas que passam pelo Parlamento acusando-se uns aos outros não percebem que só confirmam a instrumentalização que a política faz do jornalismo.

Pouco importa que alguém pergunte se a liberdade de expressão está posta em causa, porque toda a gente sabe que não está. Esta discussão serve para lançar porcaria para a ventoinha e evitar que se discuta a qualidade do jornalismo que se faz em Portugal.

Só quem vive do pecado tem medo da confissão. Quem erra pode corrigir se tiver amor à verdade. Quem tem medo de uma Ordem que estabeleça regras claras para o exercício da profissão e tenha poder para sancionar quem não as cumprir?

Por agora corremos em direcção ao abismo, com jornalistas que se julgam impolutos porque combatem o poder instituído mesmo que confundam informação com opinião ou meias-verdades com a verdade inteira.

Tantas vezes errei julgando estar certo. Tantas vezes confundi a árvore com a floresta. Tantas vezes me deslumbrei com o poder da profissão que exerço. Tantas vezes me esqueci que em cada notícia há pessoas cuja inocência é preciso presumir.

Hoje tento ser mais equilibrado, mais justo, mais honesto e, por causa disso, tenho pessoas que vivem à volta da política - sejam políticos ou jornalistas - a olhar para mim como alguém que se rendeu ao poder. A vida nem sequer é injusta, tudo tem um preço. Ao crescer ganhei maturidade, mas perdi a ingenuidade de quem se julga capaz de mudar o Mundo.
Tirado daqui
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