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As nossas contas estão melhor, mas os Gregos são mesmo parecidos com os portugueses

À beira do precipício, mas com esplanadas sempre cheias
Quando, no ano passado, o economista alemão Jens Bastian se sentiu incomodado com o fumo no café onde estava, em Atenas, virou-se, num grego escorreito, para o fumador, e lembrou-lhe que ali não era permitido fumar. Ele respondeu apenas, com ar incrédulo: "Você é estrangeiro, não é"?

A história é contada pelo próprio, e serve para mostrar que a crise económica e financeira que assola a Grécia resulta também de uma componente cultural. "Quando há uma nova lei de que não gostam, os gregos ou a ignoram ou arranjam maneira de a massajar", explica, em entrevista à Agência Lusa, este analista da Fundação Helénica para a Política Externa e Europeia.

Com a autoridade de quem vive na Grécia há mais de uma década, mas mantendo aa típica frieza germânica, Bastian vai direito ao assunto: "Os problemas que a Grécia tem foram criados pelos gregos, e não devemos procurar culpar os outros, sejam as agências de 'rating', seja uma conspiração dos mercados, seja a própria moeda única.

A Grécia tem vivido nos últimos seis anos acima das suas possibilidades, e isso paga-se, mais cedo ou mais tarde".
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