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O bailinho da Madeira

Portugal está a pagar caro, bem caro, a vida que tem levado acima das suas posses e a falta de maturidade democrática que faz com que apenas os governos de maioria absoluta consigam viver com estabilidade. Os políticos que temos, e os que tivemos, têm ajudado à festa. O bem geral raramente é tido em conta. Governos minoritários espreitam sempre a possibilidade de melhorar o resultado com eleições antecipadas e a Oposição nunca quer dar parte de fraca e inferniza a vida de que tem de gerir o país.

Dirão que tudo isto faz parte do jogo e que os partidos políticos se apresentam com uma ideologia da qual não podem abdicar, com propostas às quais querem ser fiéis. Mas alguém é capaz de explicar o que leva os políticos de todos os partidos a ajoelharem-se perante o senhor Jardim? Por que razão temos de viver, ciclicamente, com a ideia de que ainda faltam muitos milhões para sermos justos com o "povo da Madeira"?

Num momento em que todo o país tem de apertar o cinto até ao último buraco, há uns senhores que nos querem convencer que é preciso garantir ao arquipélago a possibilidade de pedir emprestado o que a República vai ter depois de pagar. Argumentam que se trata de umas migalhas, mas essas migalhas fazem mais falta em Trás-os-Montes ou no Alentejo, onde o nível de vida está muito abaixo do nível de vida dos madeirenses. Solidariedade é ajudar quem precisa, não é ajoelhar perante quem insulta.

Esta é uma batalha de teimosia entre um Governo que não quer ceder a Jardim e uma Oposição que quer pôr de joelhos um Executivo. E o povo vai ficando com a vida cada vez mais dura.
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