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Sindicato Nacional Democrático da Ferrovia

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A responsabilidade à Esquerda

O problema, à esquerda, está em saber quando se inverterá este quadro, se é que alguma vez isso acontecerá; e quando é que esses quase 20% dos votos se traduzirão numa proposta de caminho económico credível para Portugal - se é que a tem, e eu não a vejo.

É fácil propor sucessivos aumentos para os funcionários públicos. Mais polícias na rua. Mais médicos nos hospitais. Mais professores nas escolas. Mais magistrados a despacharem o tal milhão de processos assinalados pelo recente discurso do Presidente da República.

O que é difícil é dizer aos trabalhadores toda a verdade: nós não produzimos o suficiente para podermos continuar a aspirar à qualidade de vida a que nos habituámos. E, portanto, ou nos dispomos a melhorar a nossa produtividade, e a qualidade do que fazemos ou teremos de nos adaptar à ideia de que no futuro seremos mais pobres e mais infelizes, mesmo que essa pobreza e essa infelicidade devam ser mais bem repartidas.

Quando se discute o orçamento - e, felizmente, essa é uma discussão cada vez mais participada - é de tudo isso que falamos: de não desistir, de levantar cabeça, de sonhar que podemos ser melhores do que temos sido, até mais honestos na gestão dos fundos comunitários.

O Bloco e o PCP têm-se esgotado no enquadramento da contestação social, que sempre houve e haverá. São um factor de contrapeso necessário a um mais justo exercício do poder, mas não têm servido para liderar a construção de uma sociedade diferente. Nada que não soubéssemos, mas deve ser dito.
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