| Seria pior a emenda que o soneto |
 A história diz para fugirmos das "soluções" que defendem desde sensivelmente os anos 30 do século passado.
Agora que se discute o OE de Portugal e se conhecem as diversas posições partidárias, face ao mesmo, e porque da do PCP e do BE se vislumbra qual a atitude que a CGTP e seus sindicatos irão tomar, não será despeciendo citar a RDA, na véspera da sua dissolução na então RFA.
“(…) Krenz [o sucessor de Honecker após o golpe palaciano que destituiu Honecker já em pleno estertor do regime] ficou a par da verdadeira dimensão da catastrófica situação financeira em que Honecker tinha deixado o país. Todos os dirigentes desconheciam os factos, à excepção de Günter Mittag (o czar das finanças do regime), do financista Alexander Schalck-Golodkwski, do director da Stasi Erich Mielke e de Gerhard Schürer, o director do planeamento estatal da RDA. Mas agora a restante direcção do Partido foi informada e o choque foi mais do que óbvio: a bancarrota do país era mais que certa. A Alemanha de Leste não tinha dinheiro suficiente para pagar os juros dos empréstimos estrangeiros e o mais provável era incorrer em incumprimento. Schürer apresentou então aos dirigentes do Partido um “Relatório sobre a Situação Económica da RDA e Respectivas Consequências”, em que revelava os números verdadeiros das contas nacionais. Em Maio desse ano, Schürer tinha tentado convencer Honecker a pensar seriamente na crise de endividamento, «senão vamos ficar insolventes» em breve. Mas Honecker recusara-se a confrontar essa situação, dizendo que o momento não era oportuno. E tanto ele como Mielke disseram a Schürer para «manter aquela situação em segredo». Schürer guardou segredo, como lhe tinham ordenado, mas agora tinha-se insurgido e declarou que o país já estava na verdade insolvente.” “Toda a propaganda sobre o êxito da RDA baseava-se em mentiras, dizia o relatório. A realidade nua e crua era que, sob o «socialismo existente», quase 60% da base industrial da RDA não passava de sucata e que a produtividade nas fábricas e minas estava quase 50% abaixo da produtividade ocidental. Mas o facto mais grave era que nos últimos quinze anos o endividamento tinha dodecuplicado, num total de cento e vinte e três mil milhões de marcos e continuava a subir cerca de dez mil milhões ao ano - «um montante extraordinariamente alto para um país como a RDA», disse Schürer. Referiu ainda os logros legais usados para ocultar tais factos dos governos e dos bancos ocidentais, bem como os empréstimos a curto prazo em que o país incorrera para pagar os juros dos créditos a longo prazo. Se os mercados financeiros se apercebessem de como a RDA estava a mentir descaradamente sobre os seus activos, os empréstimos ocidentais cessariam imediatamente. Era talvez demasiado tarde para o país parar de contrair empréstimos. Schürer disse ainda que a situação financeira não teria sido tão desastrosa se tivessem sido tomadas medidas radicais para reduzir o endividamento há cinco anos. Mas agora a situação estava totalmente descontrolada. «Só a simples medida de evitar mais endividamento implicaria uma descida dos padrões de vida em cerca de 25% a 30% no próximo ano, o que tornaria a RDA ingovernável.»” “Krenz e os outros dirigentes ficaram horrorizados com estas informações. As suas hipóteses de sobrevivência política eram mais do que escassas. Ou até mesmo nulas, se uma das primeiras acções fosse o anúncio de penosas medidas de austeridade.” Tirado daqui Ideia original aqui |
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