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Os comboios já não passam aqui

Linhas abandonadas Plano da Refer visa recuperar 700 km de norte a sul

FOTO RUI DUARTE SILVA

Ficaram ao abandono durante décadas, mas as marcas do tempo continuam lá, fazendo lembrar um filme de Wim Wenders. De norte a sul, Portugal tem 715 quilómetros de linhas de comboio desactivadas, um quinto de toda a rede ferroviária nacional, de 3600 quilómetros.

A Refer está a avançar com um plano para recuperar os caminhos-de-ferro abandonados e respectivo património (estações, armazéns e casas de trabalho dos ferroviários), na mira de criar “um novo produto turístico em Portugal” e combater a desertificação naquelas terras. À semelhança da solução adoptada em Espanha, as velhas linhas serão reconvertidas em ecopistas, para passeios a pé ou de bicicleta. A primeira a ser concluída foi o troço Valença/Monção, havendo também ecopistas abertas em Évora, Viseu e Torre de Moncorvo. Globalmente, há 690 quilómetros de linhas antigas contempladas no plano estratégico com vista à sua reconversão em ecopistas.


Novo impulso às linhas de Trás-os-Montes e Alentejo

A Refer está agora com um plano mais ambicioso para as linhas desactivadas do Alentejo e de Trás-os-Montes (Sabor, Corgo e parte do Tua), que representam metade das ferrovias abandonadas do país.

“Em 2008, todo o património desactivado ficará encaminhado para futura actividade e não haverá mais linhas abandonadas”, garante Vicente Pereira, presidente da Invesfer, empresa imobiliária da Refer, sublinhando que o objectivo é tornar as velhas estações “em locais de actividade económica e cultural, cativando para ali desde hotéis a espaços de aluguer de bicicletas, ou venda de artesanato e produtos regionais”.

O investimento não cabe à Refer, mas a terceiros (municípios ou privados), reservando-se a empresa ao papel de “validar os projectos que têm pernas para andar e que valorizem as histórias que as próprias estações contam. Quem quiser desenvolver actividades nestes locais, pode-nos vir bater à porta”.

Para as linhas do Alentejo e de Trás-os-Montes, há várias soluções na calha. “Estações magníficas”, como Barca de Alva, Macedo de Cavaleiros, Mirandela ou Pocinho, estão a ser estudadas para futuros hotéis. “Temos muitas solicitações para hotéis, restaurantes e várias outras actividades, até mesmo para veterinários”, adianta Vicente Pereira. “No Alentejo, por exemplo, fizeram-nos a proposta de manter o carril para actividades de lazer”.

A recuperação de património estende-se às linhas activas em que houve “necessidade de fazer novas estações por razões de funcionalidade”, como é o caso de Lagos, onde a Refer já tem um projecto hoteleiro. Em Braga e Campanhã foram criadas residências de estudantes e a estação de Sacavém foi cedida à Quercus “para fazer dali um ‘edifício verde’, ao nível da recuperação energética e de materiais”.

Várias outras estações, como São Bento, Cascais ou Figueira da Foz, estão a ser alvo “da nossa intervenção de natureza imobiliária, para hotelaria ou centros comerciais”, conforme exemplifica Vicente Pereira. “Em Lisboa, também há muitos espaços em áreas ferroviárias sem uso que queremos rentabilizar”. É o caso da estação de Alcântara, onde a própria Refer projecta fazer a sua sede.

Para as linhas abandonadas, o futuro passa pelas ecopistas. “São locais fabulosos do ponto de vista do convívio com a natureza, pois as linhas desactivadas estão nas áreas mais campestres”, salienta o presidente da Invesfer, referindo que o desafio está agora em conseguir dinamizar estes locais, através de várias iniciativas. Por exemplo, “se promovermos ali passeios para cardiologistas, é melhor que muitos comprimidos juntos”.

Texto Conceição Antunes

ESTAÇÕES VELHAS, VIDA NOVA

LINHA VALENÇA/MONÇÃO A antiga via férrea do Minho deu lugar a uma ecopista de 13 km para passeios pedestres ou de bicicleta. Foi o primeiro projecto de um plano da Refer, que visa reconverter 690 km de linhas abandonadas em ecopistas

ESTAÇÃO DE BARCA DE ALVA É uma das ‘jóias da Coroa’ da Refer pela sua beleza arquitectónica e está em estudo para reconversão em hotel - à semelhança de outras estações nas linhas desactivadas de Trás-os-Montes, como Pocinho, Mirandela ou Macedo de Cavaleiros

ARCO DE BAÚLHE A velha estação foi transformada em museu ferroviário e toda a linha de comboio até Amarante irá funcionar como ecopista

ESTAÇÃO DE UL A antiga estação da linha do Vouga, perto de Oliveira de Azeméis, já foi reconvertida em restaurante

CABEÇO DE VIDE A estação da linha desactivada do Alentejo alberga agora uma estalagem e um restaurante

SINES A linha está encerrada a passageiros, continuando activa só para carga. A Invesfer tem o projecto de recuperar as antigas casas de trabalho dos ferroviários junto à estação para fins de turismo de habitação

ANTIGA ESTAÇÃO DE LAGOS O edifício da velha estação, ao lado do qual nasceu uma nova, vai albergar o posto de turismo de Lagos. Está já em discussão pública na câmara o projecto da Invesfer para um hotel e um aparthotel de 80 quartos, nos terrenos junto à antiga estação

in "Expresso"
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