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REFER E RAVE MÃOS LARGAS
Também fui nomeado por amor

Refer e Rave distribuíram mais de 600.000 euros em prémios apesar de terem prejuízos de milhões de euros. Administradores contrataram mais de 200 novos funcionários em dois anos.

Os conselhos de administração (CA) da Refer e da Rave distribuíram mais de 600.000 euros em prémios de produtividade, referentes ao ano de 2004, entre 540 trabalhadores. Uma benesse que não teve em conta o facto de a Refer ter tido um prejuízo superior a 150 milhões de euros nesse mesmo ano e a Rave também apresentar um saldo negativo de 20 mil euros.

Em dois anos e meio, Braamcamp Sobral, presidente do CA de ambas as empresas, também foi responsável pela contratação de mais de 200 trabalhadores novos. Uma medida que implicou um aumento de 260 mil euros mensais com a folha de salários das duas empresas de capitais públicos.
Entre os contratados, encontram-se vários amigos dos actuais administradores e antigos colaboradores de políticos, casos do antigo ministro das Obras Públicas, António Mexia, e do candidato do PSD à Câmara de Lisboa, Carmona Rodrigues. Uma antiga chefe de gabinete de Nuno Morais Sarmento e a ex-chefe de gabinete do antigo secretário dos Transportes socialista, Guilhermino Rodrigues, foram outros trabalhadores que engordaram a folha de pagamentos da Refer e da Rave.

O pagamento de prémios de produtividade na Refer, a empresa pública responsável pela gestão da infra-estrutura da rede ferroviária nacional, e na Rave, responsável pela futura rede de alta velocidade, causaram profundo incómodo junto dos trabalhadores das empresas, uma vez que foram atribuídos sem a clarificação do critério que levou à escolha de 540 premiados entre os mais de cinco mil trabalhadores.
O sistema de avaliação de desempenho, que vigorava nas empresas antes de 2004, foi eliminado, criando condições para que os prémios sejam, distribuídos aleatoriamente.
Entre os 540 trabalhadores que dividiram os mais de 600 mil euros de recompensa, cerca de 40 receberam uma quantia superior a três mil euros. Em alguns casos, consultores e técnicos receberam mais de cinco mil euros de recompensa pelo trabalhado realizado ao longo de 2004.

Mãos na massa. A Refer, recorde-se mais uma vez, apresentou mais de 150 milhões de euros de prejuízo durante o ano passado. A Rave que por enquanto se limita a fazer estudos para a futura rede de alta velocidade (TGV), apresentou um prejuízo de 20 mil euros. Para estes resultados negativos também terá contribuído a massa salarial dos administradores. Luís Braamcamp Sobral, Aguiar de Carvalho, Luís Miguel Silva, Osório e Castro e Marques Guedes custam aos cofres do Estado, incluindo salário, despesas de representação e um subsídio de representação adicional, 32 mil euros mensais brutos; 6500 euros por cada membro do CA da Refer.
Braamcamp Sobral, Osório e Castro, Luís Miguel Silva e Marques Guedes foram nomeados para a administração da Refer pela primeira vez em Novembro de 2002. Numa iniciativa conjunta, pediram, por sua própria iniciativa, a exoneração a 24 de Setembro de 2004, tendo sido renomeados no mesmo dia para mais um mandato. Aguiar de Carvalho juntou-se-lhes no mesmo dia. Com este “dois em um”, os anteriores administradores garantiram mais três anos à frente da Refer.

A Refer, contactada pelo Independente, não esclareceu, até ao fecho da edição, quais os critérios a que obedeceu na distribuição dos prémios de 2004 e qual o número de trabalhadores contratados durante os mandatos dos actuais administradores.

Artigo publicado no “Independente” em 2005-09-16
Francisco Trigo de Abreu
fabreu@independente.pt
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