Não vale a pena criar ilusões!

Todos sabemos que as medidas da "troika" só esperam o fim das eleições. Áreas fundamentais como a organização dos tempos de trabalho serão duramente atingidas e seria bom discutir, atempadamente, o que se pode fazer para minorar os efeitos colaterais.

Infelizmente os interessados não o querem, ou não podem fazer, até porque se chegou a uma situação rigorosamente irresponsável, as administrações das empresas são as grandes responsáveis, em que boa parte do salário está suportado em variáveis, sobretudo horas suplementares.

Mexer nisto é mexer em bem mais de 30% do salário do pessoal da exploração de comboios sobretudo os maquinistas. Este é o ponto crucial do conflito e basta ler o Adicional da Acta do Acordo com o SMAQ para o comprovar, a preocupação extrema deste sindicato com as Escalas de Serviço. Quem cá anda dentro sabe o que isto quer dizer.

Por isso se chegou a um beco. Dizer que a aplicação das regras sobre trabalho extraordinário constantes do AE da CP é mais barato que a aplicação das regras da função pública soa a música celestial, sobretudo porque a prova apresentada é a necessidade de admitir novos trabalhadores, ou reconverter alguns dos "excedentários" dizemos nós.

Compreendemos a posição dos sindicatos de classe (corporativos) de tudo fazerem para manter o clausulado do AE, na parte que lhes assegura uma boa parte da remuneração dos seus associados, mas é uma batalha perdida. Pelo contrário a pressão para baixar os custs dos salários irá aumentar e recair essencialmente nos quadros e trabalhadores altamente especializados cujos vencimentos médios estejam acima dos 1.500€, o caso do sector ferroviário.

O Sindefer é o único Sindicato do Sector que pode falar assim, ao longo dos anos sempre afirmámos que a estratégia dos sindicatos corporativos de não se preocuparem com os aumentos da tabela salarial e outro clausulado comum a todos os trabalhadores haveria de ter um triste fim...
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